Quem sou eu

Minha foto
Uruará, Pará, Brazil
Igreja Católica Apostólica Romana, Una e Santa. Sua vida é missão.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Plano catequético 2010 a 2014

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA DE URUARÁ. PRELAZIA DO XINGU


Objetivo geral da catequese na paróquia: Anunciar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, formando discípulos missionários, com fé vivenciada e celebrada em comunidade, à luz da opção pelos excluídos, rumo à maturidade em Cristo (conf. Ef. 4,13).

PLANO DE CATEQUESE PAROQUIAL 2010 – 2014.

Espírito:
“Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.” (Lc 8,21)

Objetivo geral:
Inserir gradualmente o catequizando na vida litúrgica da Igreja e comunidade: oração, descoberta da importância do batismo, preparação para a celebração dos sacramentos da Eucaristia e da reconciliação; descobrindo o sentido cristão da vida e viver o projeto de Jesus em ordem a uma gradual personalização da fé e testemunho na comunidade


Objetivos específicos:
1. Descobrir que somos membro integrante de um povo eleito e Celebrar a alegria de sermos membros deste corpo que tem Cristo como cabeça, a Igreja.
2. Viver no amor verdadeiro, colocando-se a serviço dos irmãos a exemplo de Jesus.
3. Amar a Igreja e comprometer-se com a justiça sinal do reino de Deus.

4. Despertar e formar catequistas a partir da Palavra de Deus, a fim de que possam testemunhar Jesus Cristo e realizar sua missão profética, evangelizando as famílias, unindo fé e vida.

O que queremos.

Queremos envolver os pais das crianças e dos jovens na caminhada catequética. Fazendo-os sentir a Igreja como família. Desafiá-los para experiências mais estruturadas de aprofundamento da fé. E possam descobrir a Igreja como comunidade dos discípulos missionários de Jesus e fazer a experiência Eucarística como força que constrói a comunidade.

Fazer ecoar.
A palavra grega, que dá origem ao termo catequese, nos fornece mais luz para compreender o que seja catequese. KATA é algo que vem do alto com força. EKHÉO é eco, som que se expande por ter batido contra um obstáculo que o devolve e faz ressoar, repercutir para longe... ( Doc. Catequese Renovada, 31)
A Palavra de Deus vem dele, isto é, do alto. E vem com a força de sua autoridade divina. Ela entra pelos ouvidos e paira no coração da pessoa. Pela meditação esta palavra vai ecoando dentro desta pessoa, tomando conta dela, convertendo-a, transformando-a. Aos poucos a Palavra vai se manifestando: na vida da pessoa, no seu modo de seguir Jesus, na sua participação na comunidade eclesial e na missão que vai exercendo no mundo (família, trabalho, sociedade...).
É missão da catequese.
A missão da catequese é, portanto, ajudar o catequizando a escutar, com atitude de acolhida e disposição de conversão, a Palavra divina, estimulá-lo a deixar que a Palavra ecoe no coração e, também, que ela repercuta nas atitudes de uma vida nova no Senhor.
Catequistas mediadores do processo:
Esta compreensão do que seja catequese favorece, também, a compreensão da missão do catequista. Ele é um mediador para que o sujeito primeiro e principal da catequese, que é o catequizando, faça acontecer dentro de si um espaço e processo de escuta, eco e repercussão.
Não se trata, portanto, de um mero ato de “instruir”, “ensinar” as verdades cristãs, as normas do cristianismo, dar um cursinho de religião. É muito mais que isso. Primeiramente é preciso criar um clima próprio, específico, um clima de fé, um clima celebrativo, isto é, um clima de oração e meditativo, fundamental para acolher a Palavra e estabelecer o processo de conversão.

O catequista como mediador desta caminhada, deve ter conhecimento de alguns pontos fundamentais.

A) Ajudar.
É importante ajudar o catequizando a estabelecer o canal de diálogo e comunhão com Deus, que se oferece para entrar no seu coração e cativá-lo para si e para a missão;
B) O clima.
 O clima de comunidade de fé, amor e esperança é o meio ambiente propício para este processo. O testemunho, o apoio e o estímulo da comunidade facilitam o encontro pessoal com Deus-amor, no clima de nova evangelização, a catequese se reveste de características
evangelizadoras e reassume o modelo catecumenal da Igreja primitiva, como processo de educação e crescimento na fé. Neste clima de renovação e em obediência ao que propõe o Diretório Geral para a Catequese – DGC (1997), a CNBB no clima de nova evangelização, decidiu pela elaboração de um Diretório Nacional de Catequese..
C) A vida.
A vida com tudo o que ela acarreta, tem de estar bem presente no processo catequético, porque a Palavra vem para mexer profundamente com esta vida e transformá-la. É uma construção permanente.

 OUSAR EVANGELIZAR
A catequese na Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uruará tem como alvo a evangelização das crianças, dos jovens e dos adultos e supõe uma visão de ação conjunta de todas as pastorais da paróquia, toda ela em atitude de permanente, isto é, “estado de catequese”. Esta atitude permanente de todas as comunidades em “estado de catequese” indica que, todos os membros das comunidades precisam, continuamente, de ser catequizados e toda a comunidade assume a missão de catequizar.
A catequese é um “estado” permanente da Igreja como mistério de comunhão e participação, que exprime a relação profunda da Igreja universal e da Igreja particular, na qual está a paróquia e as comunidades cristãs que a compõem. Esta se torna próxima e visível na rica experiência dos grupos de catequese e das comunidades onde os cristãos nascem e educam na fé e nela vivem: a família, a paróquia, as associações e movimentos cristãos e as comunidades eclesiais de base. São estes os lugares da catequese, isto é, os espaços comunitários, em que se realiza a catequese de iniciação cristã e a educação permanente da fé. (DC, n.º 253)
O crescimento da comunidade é, por sua vez, a meta a atingir pela catequese.
A qualidade da catequese reflete, em grande parte, da qualidade de uma comunidade cristã e de sua organização. O Diretório diz: “A comunidade cristã é a origem, o lugar e a meta da catequese. É sempre da comunidade cristã que nasce o anúncio do Evangelho, que convida os homens e as mulheres à conversão e a seguirem Cristo. E é esta mesma comunidade que acolhe aqueles que desejam conhecer o Senhor e comprometer-se numa vida nova. Ela acompanha os catecúmenos e os catequizandos, no seu itinerário catequético; e, com materna solicitude, chama-os a participar na sua própria experiência de fé e integra-os no seu seio” (DC. nº 254)
Trabalhar a catequese como elemento permanente do crescimento da comunidade cristã, levando em conta as etapas dos diversos momentos do processo de crescimento da fé cristã. É na catequese, que se dá o
dinamismo de aprofundamento, crescimento e fidelidade da fé. Não pode ser a primeira expressão da missão evangelizadora. O primeiro momento é querigmático, isto é, o anúncio de Jesus Cristo em ordem a suscitar a fé. A catequese supõe uma primeira evangelização. Estas etapas sempre foram mais claras na missão “ad gentes”, onde o primeiro anúncio leva ao catecumenato e à catequese.
Em região como nossa, que não existe ainda uma tradição religiosa local, mas tudo está em processo de formação. Vivemos em uma região que foi povoada nos anos 70, por pessoas vindas de diversas regiões trazendo seus costumes e tradições e cada qual tentando preservar a sua cultura, seus costumes e suas tradições. (Cf o histórico da paróquia.) É neste ambiente complexo que a Igreja, de maneira inculturada, procura levar à todos a Boa Nova do Reino de Deus e para muitos o primeiro anúncio.

Um grande desafio.
Para além do pequeno número de “não batizados”, o grupo mais significativo é de batizados “descrentes”, que nunca fizeram o processo de iniciação cristã, para os quais a fé não é um dinamismo de vida. Muitos dos pais das crianças das nossas catequeses estão nessa situação, em que a catequese supõe uma primeira evangelização: “Na situação que exige uma nova evangelização, a coordenação torna-se mais complexa, visto que, por vezes, quer-se ministrar uma catequese ordinária a jovens e adultos que, antes, necessitam de um tempo de anúncio e de serem despertados na sua adesão a Cristo.
 Surgem problemas semelhantes em relação à catequese para as crianças e para a formação dos seus pais. Outras vezes são oferecidas formas de catequese permanente para adultos, que, na realidade, necessitam mais de uma verdadeira catequese de iniciação cristã.
A situação atual da evangelização implica que as duas ações, o anúncio missionário e a catequese de iniciação cristã, sejam concebidos de maneira coordenada; e que, na Igreja particular, sejam propostas através de um projeto evangelizador missionário e catecumenal unitário. “Hoje, a catequese deve ser vista, sobretudo como a conseqüência de um anúncio missionário eficaz”. (DC nn.º 276-277)
Isto exige que a paróquia ofereça ações evangelizadoras, diferenciadas na própria pedagogia catequética, para as diversas situações dos destinatários em relação à fé: não batizados, batizados “descrentes” e batizados com fé. Esta é, certamente, uma das maiores exigências da catequese nas comunidades da nossa paróquia. A catequese é, neste quadro, uma expressão permanente da vitalidade das comunidades cristãs e recebe destas as características dinâmicas e a inspiração pedagógica.
A ação é de Deus.
A catequese parte da graça sobrenatural dos sacramentos da iniciação cristã e visa a “iluminação” da mente e do coração em ordem a uma vida cristã autêntica. Percebi que durante a caminhada catequética o cristão descobre e experimenta o que é viver como cristão, e percebe, no concreto da sua vida, qual é o caminho da fidelidade, a Deus, a Cristo, e à Igreja. Descobre a Igreja como “casa da comunhão” e caminho de salvação. É por isso que o catecumenato, como era praticado nos primeiros séculos da Igreja, continua a ser o modelo da catequese: é um caminhado, feito em comunidade eclesial, para descobrir toda a exigência e riqueza do batismo, sacramento que nos uniu a Jesus Cristo. Como diz o Diretório:
“O modelo de toda a catequese é o catecumenato batismal, que é a formação específica através da qual o adulto, convertido à fé, é levado à confissão da fé batismal, durante a Vigília Pascal. Esta formação catecumenal deve inspirar as outras formas de catequese, nos seus objetivos e no seu dinamismo”. ( DC n.º 59)
A caminhada catequética, aprofundando o batismo já recebido, prepara o catequizando para a confissão de fé, que ele deve exprimir na celebração litúrgica, na proclamação convicta do Evangelho e no testemunho da vida. É a isso que a Igreja chama iniciação cristã, como diz o Diretório:
“A catequese é, assim, um elemento fundamental da iniciação cristã e está estreitamente ligada aos sacramentos de iniciação, de modo particular ao Batismo, sacramento da fé. O elo que une a catequese ao Batismo é a profissão de fé, que é, ao mesmo tempo, o elemento interior deste sacramento e objetivo da catequese. A finalidade da ação catequética consiste precisamente nisto: favorecer uma profissão de fé viva, explícita e atuante. Para alcançar esta finalidade, a Igreja transmite aos catecúmenos e aos catequizando a sua fé e a sua viva experiência do Evangelho, a fim de que estes a assumam como sua e, por sua vez a professem”. (DC n.º 66)
A dimensão comunitária prevalece sobre a individual.
A caminhada catequética aqui da paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uruará, faz-se em comunidade de fé. Na experiência da vida cristã, a dimensão comunitária prevalece sobre a individual. Neste aspecto, os grupos de catequese procuram ter a qualidade e a atuação de uma pequena comunidade, que caminham em conjunto, sempre com a consciência de que são parte de uma comunidade maior, com a qual celebram o culto dominical, celebração da palavra e a eucaristia quando tem a visita do padre.
Do enunciado desta característica ressalto que o processo da catequese, por aqui, não é só, nem, sobretudo, aprendizagem doutrinal. É descoberta progressiva da pessoa de Jesus, da Igreja, do mistério da salvação. A compreensão da mensagem de Jesus faz-se com a inteligência e com o coração, guiados pela Palavra de Deus, aprendendo a rezar e a celebrar, e ganhando gosto missionário de testemunhar a fé. Esta caminhada ajuda introduzir o catequizando na lógica da graça, fazendo-o a vencer uma visão naturalista da vida.

Envolver os pais na caminhada catequética da comunidade.

É neste quadro que se situa a hipótese de envolver os pais das crianças e dos jovens na caminhada catequética. Isso se torna mais difícil se a catequese for concebida apenas como comunicação doutrinal de conhecimentos. Trata-se de convidá-los a entrar num processo de vida que os seus filhos estão a percorrer.
Convém tipificar os pais na sua situação concreta em relação à vida cristã, como foi dito anteriormente, normalmente bastante diversificada aqui no contexto da nossa realidade: Há as famílias de tradição religiosa, em que os pais estão inseridos ativamente na vida da comunidade. A comunidade cristã faz parte de um processo natural na vida dessas famílias, é na comunidade que elas buscam na palavra de Deus e na eucaristia o alimento para o crescimento na fé. Entre estas famílias e a catequese existe sintonia e cooperação, porque de fato a primeira catequese acontece na família e a maioria dos catequistas pertence a essas famílias. Nestes casos a iniciação cristã se dá em casa.
Por outro lado há um grande número de famílias que não vem de uma tradição religiosa, não foram catequizados e não tem o conhecimento dos princípios da fé cristã, porém ainda inscrevem os seus filhos na catequese, mas que não sendo praticantes guardam uma atitude de fé elementar ou que, na prática, uma fé desligada da participação na vida da comunidade. Para este grupo, a pedagogia não pode ser a da catequese, mas a da primeira evangelização.
Qual a nossa atitude?
Valorizar o acolhimento dos pais no ato de inscrição. É um momento importante na sua missão de educadores. Dizer-lhes claramente o que a Igreja se propõe fazer com os seus filhos na caminhada catequética, o que pede, não apenas a sua aceitação, mas o seu empenhamento. Todo o acolhimento pastoral pode ser momento de primeiro anúncio da fé.
Desde o início o catequizando tem de se sentir bem acolhido para se abrir à experiência comunitária. Este acolhimento deverá atingir também a família do catequizando e toda a família comunitária. Nesta etapa entram diversos elementos, cada um com a sua missão específica: a comunidade como origem, lugar e meta da catequese, o catequista como delegado da comunidade, a família como suporte da vivência comunitária da fé; o catequizando como sujeito ativo da catequese. Todos são importantes e ninguém se deve demitir da sua missão porque esta é de todos.
Despertar o sentido missionário das crianças, jovens e adultos junto das próprias famílias. Na medida em que eles se vão “convertendo” a Jesus Cristo e à Igreja, tornam-se agentes de evangelização, começando por sua casa.
Aproveitar todos os contatos com os pais para lhes anunciar a fé, envolvendo-os o mais possível na caminhada da comunidade e no acompanhamento dos filhos.
Envolvê-los de simpatia e amor fraterno no contexto comunitário, fazendo-os sentir a Igreja como família. Desafiá-los para experiências mais estruturadas de aprofundamento da fé.


Obs: Esta é a primeira parte do Plano.


Pe. Jeová de Jesus Morais

HISTÓRICO DA PARÓQUIA DE URUARÁ - Pa.

LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA:  O município de Uruará está localizado no estado do Pará, ao longo da Rodovia Transamazônica, mais precisamente no km 180, no trecho entre os municípios de Altamira e Itaituba,surgiu a partir do PIN - Plano de Integração Nacional e do Projeto de Colonização do INCRA,na década de 70,  onde para cá foram trazidos grandes números de migrantes de várias regiões do País. Uruará, palavra de origem indígena que significa “CESTO DE FLORES”.  

O município de Uruará pertence a mesorregião Sudoeste  Paraense e à microrregião de Altamira. A sede do município apresenta as seguintes coordenadas geográficas: 03°42’54 de Latitude Sul e 53°44’24, de Longitude a Oeste de Greenwich, com uma área territorial de 10.637 Km². Seus limites são: ao Norte Prainha e Medicilândia; a Leste Medicilândia e Altamira; ao Sul Altamira e a Oeste Santarém. As manchas de solos mais freqüentes são dos tipos Latossolo Amarelo, Terra Roxa Estruturada e Podzólico Vermelho-Amarelo, com boas condições de fertilidade, permitindo a adaptação de culturas anuais e perenes.
A vegetação natural é mata de terra firme quase inexistindo várzeas e igapós.
Os rios, Uruará, Trairão e Tutuí, e seus afluentes, formam uma rede hidrográfica de pequeno porte, se considerado as proporções hidrográficas da Amazônia. O Município apresenta níveis topográficos expressivos, notadamente na faixa sul, com topografia tubuliforme e colinosa, aonde esses níveis chegam a alcançar centenas de metros. É nessa faixa que foi implantada a Rodovia Transamazônica e a sede municipal. À parte Centro-Oeste, com platôs e tabuleiros do terciário, apresenta cotas, sucessivamente descendentes, em direção Norte, com desnível da drenagem rumo ao Amazonas.
Com cota mais elevada, há a referência 463 metros, a Sudoeste e a mais baixa 24 metros, a Nordeste, sendo que a sede municipal está elevada em cerca de 100 metros do nível do mar. O acesso principal é a Rodovia Transamazônica – BR 230 / PA. Por via área e terrestre até Altamira/Santarém, com saída para todos os estados.
Histórico da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.
A Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uruará, que pertence a Prelazia do Xingu, estado do Pará, compreende tudo o município de Uruará e ainda algumas comunidades do município vizinho do lado leste, Medicilândia. Como foi dito acima o município de Uruará está localizado na região sudeste do Estado do Pará e tem uma área de 10.839,669 km², com mais de 55.000 habitantes. Uma recente pesquisa feita por uma entidade local, afirma que 83,73% da população do município é católica.
As primeiras comunidades da paróquia Nossa Senhora de Fátima surgiram nos anos 70 junto com a Rodovia Transamazônica e foram criadas pelas famílias de imigrantes das várias regiões do País que pra cá vieram em busca de terra para trabalhar e de uma vida melhor, mas, infelizmente, nem para todos isso foi possível.
Muitas famílias que foram trazidas pelo governo militar da época foram abandonadas à margem da rodovia ou do projeto de rodovia, sem nenhuma assistência de saúde, educação e moradia. Muitos morreram abandonados no meio da selva, infectados por doenças típicas da região amazônica, como malária febre amarela, picadas de inseto, de cobras, etc.
Dentro deste contexto de sofrimento, de saudade da terra natal, dos amigos e familiares que ficaram para trás, mas sem perder esperança de uma vida melhor, é que começou a formação das primeiras comunidades da paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uruará. Essas comunidades que aos poucos se organizavam eram dirigidas, na sua maioria, por mulheres, mães de famílias, que se reuniam aos domingos para rezar o terço, ou fazer a celebração da palavra, o culto dominical, mantendo assim viva a fé no Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso salvador.
As famílias também se encontravam nas casas para as orações e devoções populares, tais como: novenas, tríduos e terços, que eram concluídas com verdadeiras festas e celebrações em honra dos seus santos padroeiros, preservando assim, em terra distante, seus costumes e suas tradições religiosas herdadas dos seus antepassados.
Os primeiros padres que atendiam as comunidades recém-criadas e davam assistência religiosa às famílias recém-chegadas, eram da Congregação do Preciosismo Sangue de Cristo (C.PP.S.) e vinham de Altamira sede da Prelazia do Xingu, que fica a 180 km da cidade de Uruará. Mais tarde foram os Padres Xaverianos, (S.X.) que assim como os missionários do Preciosismo Sangue de Cristo, também eles, vinham de Altamira, duas ou três vezes por ano visitando as famílias e as comunidades; anunciando a Boa Nova de Jesus Cristo através das celebrações da Santa Missa, da realização dos sacramentos e orientações catequéticas com palestras e pequenos encontros de formação, para preparar as novas e futuras lideranças das comunidades.
Diariamente, chegavam novas famílias à região. Novas comunidades surgiam e se organizavam em torno da Palavra de Deus e na esperança da nova visita do padre.
 Assim foram dados os primeiros passos no processo de evangelização na região e na formação das comunidades da futura paróquia, Nossa Senhora de Fátima de Uruará.
Em 1974 veio o padre Oscar A. Führ da Arquidiocese de Porto Alegre-RS, para trabalhar e morar na então área de pastoral de Uruará. Junto com uma pequena equipe de agentes de pastoral formada por leigos e coordenada pelo padre que acompanhava e organizava de maneira mais sistemática as comunidades recém-criadas, dando uma assistência religiosa mais de perto.
Em 1977 uma pequena comunidade religiosa da congregação dos Irmãos Lassalistas fixa-se na área para auxiliar no campo da educação escolar e no atendimento pastoral.
No início de 1983, as Irmãs Franciscanas de Ingolstadt fundaram uma comunidade com três irmãs na região, dedicada exclusivamente à pastoral.
A partir do meado dos anos 1970, já sob a liderança e orientação do Pe. Oscar, as comunidades começaram a se organizar mais concretamente, construindo suas capelas, pequenos barracos, construídos de tábua, de taipa ou pau-a-pique, que também eram usadas como escola para a alfabetização das crianças, filhos dos imigrantes.
Em 1991, o Bispo da Prelazia do Xingu, D. Erwin Kräutler erigiu a Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uruará, já com o padre Francisco Glory, um missionário do MEP, (Missiona Estrangéres de París) que sucedeu o padre Oscar A. Führ em 1986.
O Pe. Francisco Glory, (Pe. Chico), como é conhecido na paróquia, trabalhou em Uruará até 2003, de 2003 a 2005 trabalharam os padres Blásio Henz e Roberto Henming da arquidiocese de Porto Alegre. A partir de 2005 assumiu a paróquia Nossa Senhora de Fátima o Pe. Jeová de Jesus Morais, que é diocesano da Prelazia do Xingu.
A área da paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uruará começa no km 135 e vai até o km 224 da rodovia transamazônica, no sentido Altamira - Itaituba. De 5 em 5 km tem uma vicinal do lado sul e outra do lado norte, isto é , uma do lado esquerdo e outra do lado direito da rodovia, como formato da espinha do peixe. Alguns desses travessões ou vicinais têm até 07 comunidades e chegam a mais de 100 km de extensão, sem contar os ramais que interligam as vicinais.
A nossa Paróquia é formada por oitenta e uma (81) comunidades, ao longo do município de Uruará com algumas comunidades no município vizinho, conforme o relato acima. As comunidades estão divididas entre zona rural e urbana, sendo que a maioria absoluta está na zona rural: são oito (08) comunidades na cidade, onze (11) na beira da rodovia transamazônica e as demais nas vicinais.

Atualmente tem só um padre, para atender todas as comunidades, o padre Jeová de Jesus Morais. É uma missão muito difícil e ainda mais, quando se trata da nossa região que historicamente padece do mal crônico da ausência de políticas públicas. A população sofre com falta
de assistências básicas como: saúde, educação, moradia, estradas e até alimentação.


Pe. Jeová de Jesus Morais
Pároco de Uruará

domingo, 18 de abril de 2010

Regimento para o ministério da coordenação da catequese da Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uruará, Prelazia do Xingu.




Objetivo geral da catequese na paróquia: Anunciar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, formando discípulos missionários, com fé vivenciada e celebrada em comunidade, à luz da opção pelos excluídos, rumo à maturidade em Cristo ( Ef. 4,13).


CAPÍTULO - I
1. Da natureza do ministério da coordenação
Art. 1º - A Coordenação de Catequese Paroquial é um organismo consultivo, que sob a liderança e orientação do pároco, planeja, organiza, lidera, coordena e avalia a caminhada da pastoral catequética na Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uruará, manifestando a unidade e a co-responsabilidade vivenciada na comunhão eclesial.
Art. 2º. - A coordenação é uma “co-operação”, uma ação em conjunto, de co responsabilidade conforme os diversos ministérios. Jesus é a fonte inspiradora
na arte de coordenar. Ele não assumiu a missão sozinho. Fez-se cercar de um grupo (cf. Mc 3,13-19; Jo 1,35-51). Com Ele vai criando sua comunidade. ( DNC 314.) Em Jesus, o ministério da coordenação e animação caracteriza-se pelo amor às pessoas e pelos vínculos de caridade e amizade. Ele conquista confiança e delega responsabilidades.
Art. 3º - A Coordenação de Catequese Paroquial é o órgão coordenador da participação dos catequistas, dos catequizandos e dos pais na vida da comunidade e nas atividades pastorais.
Art. 4º - A Coordenação de Catequese Paroquial não tem fins lucrativos e os seus membros são voluntários, isto é, não serão remunerados.

CAPÍTULO - II

2. A missão do ministério da coordenação
Art. 5º - Coordenar é missão de pastor (cf. Jo 10,1-10) que conduz, orienta, encoraja catequistas e catequizandos para a comunhão e participação, para a solidariedade e para a transformação da realidade social.
Para essa missão se requer um trabalho de grupo, e não de uma só pessoa. Pois é um serviço representativo da comunidade, dos catequistas e das famílias (DNC 315).
Art. 6º - Exercer o ministério da coordenação na catequese é gerar vida e criar relações fraternas. É promover o crescimento da pessoa, abrindo espaço para o diálogo, a partilha de vida, de incentivo e de compreensão. Esse ministério se alimenta na fonte de espiritualidade que decorre do seguimento de Jesus Cristo. Não é uma função, mas uma missão que brota da vocação batismal de servir. ( DNC 316).
Art. 7º - A coordenação procure ser missionária, inserida na comunidade, formadora de atitudes evangélicas, comprometida com a caminhada da catequese na paróquia e com as linhas orientadoras da prelazia.
A palavra-chave desse ministério é “articulação”. O coordenador não acumule funções, nem se apascente a si mesmo, mas sim as ovelhas (cf. Ez 34,2).

CAPÍTULO - III

3. Objetivos do ministério da coordenação
Art. 8º - O ministério da coordenação de catequese tem por objetivo criar relações, facilitar a participação, desenvolver a sociabilidade, levar à cooperação, comprometer na co-responsabilidade, realizar a interação e tornar eficaz o conjunto da caminhada catequética na paróquia.
§1° assumir esse ministério como uma missão que brota de uma experiência de vida cristã comunitária;
§2º - entender o significado do serviço de coordenação e suas atribuições;
§3º - suscitar vida entre as pessoas, cultivando um relacionamento humano, fraterno e afetivo;
§4º - perceber a realidade sócia econômica-política eclesial e cultural que envolve as pessoas e as comunidades. Não há uma coordenação neutra:
ela está situada num contexto sociocultural em nível local, nacional, mundial;
§5º - assumir as exigências da coordenação como um serviço em benefício do crescimento das pessoas e da comunidade. Esse serviço expressa a experiência de partilha, de descentralização, da missão realizada em equipe, de relações fraternas, sinalizadoras de um novo   modo de viver que brota do Evangelho;

§6º - criar uma rede de comunicação entre as diversas instâncias: comunidade, paróquia, diocese, regional e nacional;
§7º - adotar a metodologia do aprender a fazer fazendo, tendo presentes objetivos claros e ações concretas a serem desenvolvidas;
§8º - ter capacidade para perceber que as pessoas têm saber, capacidades, valores, criatividade e intuições que contribuem para o exercício da coordenação;
§9º - desenvolver qualidades necessárias para um trabalho em equipe: capacidade de escutar, aprender, dialogar; reconhecer os valores do grupo; proporcionar o crescimento da consciência crítica, da participação e do compromisso; expressar solidariedade nas dificuldades e nas alegrias; ter um espírito organizativo;
§10 - saber lidar com desencontros, problemas humanos e situações de conflito com calma, num clima de diálogo, caridade e ajuda mútua;
§11 - perceber a realidade e a estrutura da graça, mais do que a eficiência e o ativismo;
§12 - buscar e partilhar conhecimento atualizado sobre planejamento participativo;
§13 - integrar-se com as demais pastorais (pastoral orgânica). 318.

CAPÍTULO – IV

4. O ministério da coordenação a exemplo de Jesus

Art. 9º - Jesus conhece as pessoas e as aceita como são. Parte daquilo que são os discípulos, e não daquilo que deveriam ser para conduzir cada um a um crescimento cada vez mais profundo (Jo 20, 27; Lc 22, 61; Lc 24, 13-35).
Art.10 - Jesus exerce sua autoridade com caridade, com amor e serviço. É aquele que serve ( Jo 13, 1-20). “Eu não vim para ser servido, mas para servir” (Mc 10, 45). Para Jesus, todos têm uma caminhada a fazer, uma conversação a realizar, uma esperança a construir. A grande norma do grupo é o mandamento do amor.
Art. 11 - Jesus coloca-se dentro da comunidade e a conduz com amor. A presença de Jesus é viva no meio da comunidade. (Jo 6, 1-15).
Art. 12 - Jesus criou uma comunidade para a Missão. A comunidade é um caminho de crescente fraternidade e abertura para a missão.
Art. 13 - O apóstolo Paulo nos alerta (Rm 10, 9-21) para que tenhamos os mesmos sentimentos de Jesus Cristo. Isto é, que a nossa missão de coordenadores não seja uma forma de presunção e nem um fardo nos ombros dos outros, mas que seja uma continuidade da missão de Jesus Cristo na edificação do Reino de Deus.

CAPÍTULO - V
5. Dos membros e das atribuições do ministério da coordenação
Art. 14 - Os membros do ministério da Coordenação da catequese devem ser cientes que este ministério é um serviço que suscita e integra através de ações concretas as forças vivas da catequese: pároco, catequistas, pais, catequizandos e as outras pastorais.
§ Único - O ministério da coordenação de catequese é composto por “homens e mulheres de boa reputação, repletos do Espírito Santo e de sabedoria (At.6,3)”. Fiéis de vida cristã comprovada, que se dispõe a expressar sua comunhão e sua co-responsabilidade no estudo e na busca de soluções para os problemas pastorais. Fiéis em plena comunhão com a Igreja Católica (Can. 512 § 1)
Art. 15 - Este ministério deve ser exercido com amor, é um serviço em prol do Reino de Deus: animando os catequistas, abrindo novos horizontes, atualizando-se continuamente, estando em sintonia com as orientações da Prelazia, da CNBB e das diretrizes da Igreja.
Art. 16 - Os membros da coordenação diferenciam-se pelo serviço, pela confiança nos catequistas, pelo amor aos pais dos catequizandos e aos catequizandos, pela vivência comunitária, pela preocupação com a formação dos catequistas.
Art. 17 - Acolhem as sugestões, aceita com humildade as críticas, aponta sempre uma luz nas horas escuras.
Art. 18 - Elaborar, juntamente com o pároco, uma proposta de formação continua para os catequistas. E organizar, de maneira pedagógica, um projeto para a catequese levando em conta as decisões da Assembléia paroquial.

Art. 19 - Participar das reuniões e demais eventos promovidos pela paróquia.
§ 1º - A participação em atividades extra-paroquial, é fundamental para a informação e formação.

CAPÍTULO - VI

6 - Da escolha dos membros e das reuniões
Art. 20 - Sejam escolhidas pessoas que estejam de acordo com o § único do Art. 14.
Art. 21 - Os membros da coordenação de catequese paroquial serão indicados pelos setores e aprovados ou não na Assembléia Paroquial
Art. 22 - Para o Ministério da coordenação da catequese paroquial não sejam designados senão fiéis que se distingam por uma fé sólida, bons costumes e prudência cristã. (Can. 512 § 3).
Art. 23 - O mandato dos membros do da coordenação será de cinco anos, podendo ser renovado por mais cinco anos, mas só dois terços dos membros, no máximo. (cân. 513 §1).
Art 24 - Na primeira reunião da coordenação de catequese, constituída e convocada pelo pároco ou por alguém delegado por ele, faz se a escolha do coordenador/a geral, vice-coordenador/a, do 1º secretário/a e 2º secretário/a.

Art. 25 - Para tais funções, a escolha poderá ser feita pelos membros da coordenação ou diretamente pelo pároco
Art. 26 - Compete ao pároco, como primeiro responsável pela catequese na paróquia, convocar suas reuniões e presidi-las, pessoalmente ou por delegados expressamente nomeados, bem como publicar as decisões tomadas.
Art. 27 - A coordenação de catequese paroquial precisa reunir-se três vezes por ano para rezar, estudar, planejar e aprofundar a situação da pastoral catequética na paróquia;
§ Único – E extraordinariamente sempre que as necessidades pastorais exigirem.


CAPÍTULO - VII

7 - Da equipe coordenadora e funções

Art. 28 - Programar, coordenar e agendar toda a atividade da Catequese paroquial.
Art. 29 - Executar, encaminhar e delegar as decisões tomadas na assembléia paroquial e na assembléia catequética da paróquia.
Art. 30 - Atuar movidos pelo amor e pela solidariedade no apoio a todos os problemas de catequizandos que cheguem ao seu conhecimento.
Art. 31 - Criar ambiente fraterno, alegre e responsável para que a convivência do grupo seja o maior

§ Único - Fazer-se representar no conselho Pastoral da paróquia e da prelazia

Art. 32 - Composição da equipe coordenadora do ministério da catequese:
Pároco, coordenador geral, 1º e 2 º Coordenador, 1º e 2º secretário
Funções:
Art. 33 - O pároco:
É o primeiro responsável como delegado do Bispo, na organização da catequese na comunidade cristã. A ele compete-lhe: - suscitar na Comunidade cristã o sentido da responsabilidade comum em relação à Catequese, como uma tarefa que a todos envolve, bem como suscitar o reconhecimento e apreço por todos os Catequistas e pela missão que desempenham.

Art. 34 - Compete ao coordenador/a geral::
Animar os/as catequistas;
Abrir novos horizontes;
Atualizar-se continuamente, estando em sintonia com as orientações da prelazia, da CNBB e da Igreja Universal.
Criar um clima de acolhimento, de partilha e de confiança entre o ministério da coordenação, os catequistas, catequizandos e familiares.
Oferecer formação continua e permanente aos catequistas.
Art. 35 - Compete ao 1º coordenador:
Zelar para que o objetivo do CPP seja alcançado de acordo este regimento;
Organizar a pauta das reuniões, juntamente com o presidente, o vice-coordenador e com o 1º e 2º secretário.
Elaborar subsídios e documentos para motivar as decisões do Conselho;
Coordenar as reuniões, juntamente com o presidente do Conselho.
Art. 36 - Compete ao 2º coordenador:
Substituir o coordenador na sua ausência ou impedimento e colaborar com ele para o bom andamento do conselho.
Art. 37 - Compete ao 1º secretário:
elaborar as atas das reuniões e se possível após a aprovação e publicação das decisões; entregar uma cópia da mesma aos interessados.
Art 38 - Compete ao 2º secretário:
substituir o 1º na sua ausência ou impedimento e auxiliá-lo nas reuniões.

CAPÍTULO - VIII

8 - DAS DISPOSIÇOES GERAIS

Art. 39 - O presente regimento entrará em vigor na data de sua aprovação pelo Bispo.
Art. 40 - A aprovação ou reforma desse regimento dependerá do voto favorável de dois terço dos coordenadores e da ratificação final do Bispo da Prelazia.
Art. 41 - Os casos omissos ou duvidosos deste regimento serão resolvidos pelo pároco, ouvindo sua equipe de pastoral e a aprovação do Bispo.
Art. 42 - Perderá o mandato o coordenador que abandonar publicamente a fé Católica e a prática religiosa, por adesão a seitas ou associação incompatível com as normas da Igreja Católica.
Art. 43 - Cessando o mandato do padre responsável pela paróquia, por transferência, renúncia, ou qualquer outro impedimento, cessará simultaneamente o mandato dos coordenadores, cabendo ao novo padre confirmar o mesmo ministério da coordenação catequética ou constituir um novo. (cân. 513 §2 ).
Art. 44 - O Bispo poderá solicitar ao ministério da coordenação antes constituída, que continue sob um coordenador que ele, como pastor desta Igreja particular indicará.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

REGIMENTO DO CONSELHO PASTORAL PAROQUIAL DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA DE URUARÁ.

REGIMENTO DO CONSELHO PASTORAL PAROQUIAL DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA DE URUARÁ.


CAPÍTULO - I


DA NATUREZA DO CONSELHO

Art. 1º - O Conselho Pastoral Paroquial, denominado CPP é um organismo consultivo, que sob a liderança e orientação do pároco, planeja, organiza, lidera, coordena e avalia a caminhada pastoral da Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uruará, exprimindo a unidade e a co-responsabilidade vivenciada na comunhão eclesial, do laicato, clérigos, religiosas/os, sob a jurisdição do Ordinário local. (cân. 511,514 §1).
§2º - O Conselho Paroquial de Pastoral é o órgão coordenador da participação dos leigos com os clérigos, religiosos/as, na vida e nas atividades pastorais da Igreja local.

§3º - O CPP não é uma associação comunitária, uma comissão representativa, ou um grupo paroquial e nem um simples instrumento democrático reivindicativo.

§ 4º – O CPP não tem fins lucrativos e os seus membros são voluntários, isto é, não serão remunerados.


CAPÍTULO - II

                                                 DOS SEUS OBEJETIVOS.

Art. 2º - O CPP tem como objetivo promover a unidade e a co-responsabilidade das diversas pastorais e grupos existentes na paróquia. Examinando, planejando, avaliando, liderando e dinamizando as atividades pastorais da paróquia e propondo práticas evangélicas e libertadoras.

Art. 3º - O CPP visa ser um instrumento de integração das pastorais, associações, movimentos e grupos religiosos, respeitando “a índole própria de cada um deles”, sendo um sinal de consciência, de co-responsabilidade e de comunhão eclesial.

Art. 4º - Entre as tarefas principais do CPP, destacam- se as seguintes:

§1º - Atuar numa contínua reflexão sobre a vida e a realidade pastoral da paróquia.

§2º - Elaborar um plano de pastoral de acordo com o objetivo da paróquia e da prelazia.

§3º - Encaminhar, propor, discernir e clarificar principalmente as decisões e compromissos assumidos na assembléia paroquial.
                                                                   CAPÍTULO - III

DOS MEMBROS DO CPP

Art. 5º - O CPP é composto por “homens e mulheres de boa reputação, repletos do Espírito Santo e de sabedoria (At.6,3)”. Fiéis de vida cristã comprovada, que se dispõe a expressar sua comunhão e sua co-responsabilidade no estudo e na busca de soluções para os problemas pastorais.
Fiéis em plena comunhão com a Igreja Católica (Can. 512 § 1)
Art. 6º - Os membros do CPP assumem uma missão específica da e na paróquia, através de um planejamento e desenvolvimento pastoral, em consonância com o Plano de Pastoral da Prelazia, e ainda as normas vigentes na Igreja Universal, com as Diretrizes Gerais da CNBB e do Regional Norte II.

Art. 7º - Dos membros do CPP se espera uma participação consciente e competente, uma presença atuante em função da Pastoral Paroquial, um verdadeiro testemunho e prudência cristã.

§ Único: Entre os pressupostos para os membros do CPP, destacam-se os seguintes:
1º uma mentalidade inculturada de comunhão e participação;
2º de testemunho, serviço e diálogo;
3º de colaboração e co-responsabilidade:
4º de ministério e de fé cristã,
5º uma mentalidade comunitária e de compromisso com os excluídos/as;
6º de ser discípulo missionário/a de Jesus Cristo.
7º compromisso com o Reino de Deus e anúncio da justiça;

CAPÍTULO - IV
DA ESCOLHA DOS MEMBROS DO CPP

Art. 8º - Sejam escolhidas pessoas que estejam de acordo com os critérios do art. 5º.

Art. 9º - Os membros do CPP serão indicados pelos setores e aprovados ou não na Assembléia Paroquial.

Art. 10º - Sejam pessoas que configure realmente toda porção do povo de Deus que constitui a Paróquia Nª Sª de Fátima de Uruará, levando em conta os diversos setores e o serviço pastoral que cada um exerce ( Can. 512 § 2).

§ Único: Para o Conselho de Pastoral não sejam designados senão fiéis que se distingam por uma fé sólida, bons costumes e prudência Can. 512 § 3).

Art. 11º - São membros do CPP em razão do seu serviço na paróquia:

§1º - o pároco;

§2º - os padres, as religiosas e os religiosos engajados na pastoral da paróquia e ou região e Prelazia.

§3º - os coordenadores das pastorais específicas em nível de região ou prelazia;

§4º - um representante (no máximo) de cada comunidade do setor cidade.

§5º - três representantes por setor da zona rural: dois titulares e um suplente.

Art. 12º - O mandato dos membros do CPP será de cinco anos, podendo ser renovado por mais cinco, mas só dois terços dos conselheiros no máximo. (cân. 513 §1).

§ Único: Os coordenadores em nível de região e prelazia perdurarão enquanto exercerem tal função, a não ser que se afaste da vida pastoral da paróquia.

CATÍTULO - V

DAS ATRIBUIÇÕES

Art. 13° - Os conselheiros deverão estar cientes de que o pároco é “cooperador do bispo”, encarregado para servir a porção do povo de Deus em determinada parte da prelazia, com o dever de ensinar, santificar e governar.

Art. 14º - Os conselheiros deverão prestar sua “cooperação direta” com o pároco ajudando-o a refletir e buscar soluções práticas, sábias, visíveis e viáveis para os problemas pastorais.

Art. 15º - Na primeira reunião do CPP, constituída e convocada pelo pároco ou por alguém delegado por ele, faz se a escolha do coordenador/a geral, vice-coordenador/a, do 1º secretário/a e 2º secretário/a.

§ Único: Para tais funções, a escolha poderá ser feita pelos membros do CPP ou diretamente pelo pároco.

Art. 16º - O coordenador geral do CPP será o coordenador de pastoral paroquial e representante da paróquia no conselho de pastoral em nível de Região e Prelazia.

Art.17º - Compete ao pároco, como presidente do CPP, convocar suas reuniões e presidi-las, pessoalmente ou por delegados expressamente nomeados, bem como publicar as decisões domadas.

Art. 18º - O padre responsável pela paróquia por si ou por indicação do CPP poderá convidar algum especialista para orientar o encaminhamento de algum tema específico a ser trabalhado pelo CPP.

Art. 19º - Compete aos conselheiros, uma vez tomadas e publicadas as decisões, comunicá-las aos setores que representam ou às pastorais e movimentos eclesiais, bem como a dinamização do processo executório das decisões tomadas.

CAPÍTULO - VI



DAS ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS

Art. 20º - Compete ao coordenador geral:
• Zelar para que o objetivo do CPP seja alcançado de acordo este regimento;
• Organizar a pauta das reuniões, juntamente com o presidente, o vice-coordenador e com o 1º e 2º secretário.
• Elaborar subsídios e documentos para motivar as decisões do Conselho;
• Coordenar as reuniões, juntamente com o presidente do Conselho.

Art. 21º - Compete ao vice-coordenador: substituir o coordenador na sua ausência ou impedimento e colaborar com ele para o bom andamento do conselho.

Art. 22º - Compete ao 1º secretário: elaborar as atas das reuniões e se possível após a aprovação e publicação das decisões; entregar uma cópia da mesma aos interessados.

Art. 23º - Compete ao 2º secretário: substituir o 1º na sua ausência ou impedimento e auxiliá-lo nas reuniões do CPP.

CAPÍTULO - VII

DAS REUNIÕES

Art. 24º - O CPP reunir-se-á, ordinariamente, pelo menos três vezes por ano, para programar e avaliar a caminhada pastoral e, extraordinariamente, sempre que as necessidades pastorais o exigirem. (cân. 514 §2).

Art. 25º - Compete ao pároco, juntamente com a coordenação do CPP fazer as convocações das reuniões ordinárias.

Art. 26º - Para as reuniões extraordinárias, poderá também fazer a convocação, dois terço dos membros do CPP, desde que indiquem a finalidade da convocação.

Art. 27º - Será automaticamente excluído do CPP o conselheiro que sem justificativa fundada, faltar consecutivamente a duas reuniões.

§ Único: O mesmo valerá para o membro que faltar duas reuniões não consecutivas, durante um ano.

Art. 28º - Compete ao secretário fazer a lista de presença, nas reuniões, e no caso anterior, ouvindo o padre, comunicar ao faltoso o seu desligamento e substituição, com a ratificação de dois terços dos conselheiros.

CAPÍTULO - VIII
DAS DISPOSIÇOES GERAIS


Art. 29º - O presente regimento entrará em vigor na data de sua aprovação pelo Bispo.

Art. 30º - A aprovação ou reforma desse regimento dependerá do voto favorável de dois terço dos conselheiros e da ratificação final do Bispo da Prelazia.

Art. 31º - Os casos omissos ou duvidosos deste regimento serão resolvidos pelo pároco, ouvindo sua equipe de pastoral e a aprovação do Bispo.

Art. 32º - Perderá o mandato o conselheiro que abandonar publicamente a fé Católica e a prática religiosa, por adesão a seitas ou associação incompatível com as normas da Igreja Católica.

Art. 33º - Cessando o mandato do padre responsável pela paróquia, por transferência, renúncia, ou qualquer outro impedimento, cessará simultaneamente o mandato dos conselheiros, cabendo ao novo padre confirmar o mesmo CPP ou constituir um novo. (cân. 513 §2 ).

Art. 34º - O Bispo poderá solicitar ao Conselho antes constituído, que continue sob uma presidência que ele, como pastor desta Igreja particular indicará.




Uruará-Pa. ..., de abril de 2010


Pároco de Uruará

-------------------------
Jeová de Jesus Morais

domingo, 11 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

MISTÉRIO PASCAL

Páscoa Judaica.

Pessach (Páscoa), palavra hebraica que significa passagem, transformação de vida, ou seja, sair de uma vida de escravidão para uma vida de libertação. Outra referência da Páscoa é a passagem de Deus sobre as casas dos hebreus, quando Ele exterminou os primogênitos dos egípcios, poupando e libertando seu povo. “Naquela noite, passarei através do Egito, e ferirei os primogênitos no Egito, tanto os dos homens como os dos animais, e exercerei minha justiça contra todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor”(Ex 12, 12). Nesta cerimônia os judeus atualizam os acontecimentos da noite em que Deus, através de Moisés, libertou o povo de Israel da escravidão no Egito, conduzindo-os à Terra Prometida.


Páscoa cristã.

Os cristãos celebram o mistério pascal:
da morte - ressurreição e glorificação de Jesus
Os evangelhos, principalmente os sinóticos, nos ajudam no caminho espiritual rumo a Páscoa. Mas o que diz concretamente o evangelista Marcos, no seu relato da Ressurreição? Par obtermos essa resposta buscaremos na fonte Mc 16, 1-8 e Mateus 28, 1-8 e Lc 24, 1-10. Jesus, após sua morte na cruz, foi sepultado em um túmulo novo. Ora, a lei romana dizia que um condenado à morte deveria ser devorado pelos corvos. Por sua vez, a lei judaica mandava que fosse sepultado numa fossa comum.

JESUS É REI.




O fato de Jesus ter sido sepultado num túmulo novo, talhado na rocha, e fechado com uma pedra (cf. Mc 15.42-47), é sinal de glória e honra. Sepultura digna dos nobre e reis, JESUS É REI. O sepultamento de Jesus foi às pressas, porque já era sábado, e as mulheres não puderam fazer as honras fúnebres a Jesus. Por isso, passado o sábado, no primeiro dia da semana, elas foram ao túmulo ao nascer do sol. Encontram o túmulo aberto..., alguém rolara a pedra... A pedra que era muito grande (Mc 16, 4) e já fora removida, não pelas mãos de homens, mas de outra maneira.
Ressuscitou!

Este túmulo, portanto, é sinal do triunfo da vida sobre o reino dos mortos. A vida triunfa sobre a morte. Com diz o refrão: “Ó morte onde está tua vitória Cristo ressurgiu honra e glória”.

O túmulo aberto é símbolo do triunfo da vida sobre a morte. A ausência do corpo de Cristo, portanto, não pode ser sinal nem critério da ressurreição. Não podemos basear a nossa fé em um sepulcro vazio. O simbolismo está no túmulo aberto (vida) e no túmulo fechado (morte).
Qual o comportamento das mulheres? O que fazem? Observam de longe e vêem quando rola a pedra para fechar o túmulo, feito por vários homens. Voltando para o lugar da sepultura se perguntam: “Quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós?” (Mc 16, 3). Elas se voltam para o passado e no passado tem um morto. Podemos procurar Jesus voltando-nos para o passado?

Está entre os vivos
O itinerário não é aquele de procurá-lo entre os mortos, mas de encontrá-lo entre os vivos, no momento presente. É o anjo de Deus que tira a preocupação das mulheres: “quem rolará a pedra?” Deus sempre providencia os seus anjos... Dentro do túmulo, as mulheres vêem um anjo à direita (vida), vestido de branco (pertence ao céu). O branco é a cor da vitória. A mensagem do anjo é no presente: “Ressuscitou, não está aqui” (Mc 16, 6). E as mulheres? As mulhres perguntam: Onde podemos encontrar Jesus? “Ele vos precede na Galiléia. Lá o vereis” (Mc 7). A Galiléia é o lugar do encontro com Jesus. A presença do anjo no túmulo reforça o que as Escrituras falam: “Ressuscitou”! O que fazem as três mulheres? Tornam-se anunciadoras, missionárias do Ressuscitado. Por que três? Para que acreditassem, três testemunhas não uma só elas anunciaram aos apóstolos, mas eles não acreditaram. Para acreditar é preciso uma iluminação superior, iluminação divina: “Ele se manifestou aos onze, quando estavam à mesa e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não haviam dado crédito aos que o tinham visto ressuscitado” (Mc 16, 14).
Também nós, nesta páscoa do Senhor, somos convidados a procurá-lo entre os vivos e nos tornarmos discípulos missionários, anunciadores da Ressurreição, da vida. Nós não somos a Igreja do sepulcro vazio, mas do sepulcro aberto, que irradia a luz da ressurreição iluminando a vida nova do cristão e no Cristo, a sua fé, a sua esperança e caridade.
Devemos, sim, olhar, qual tipo de pedra está fechando o sepulcro, impedindo que a vida cristã se torne cada vez mais bonita e apaixonante, cada vez mais transparente e coerente, cada vez mais sólida e iluminada. Certo é que ainda hoje precisamos que o anjo nos diga: “Estais procurando Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou!” (Mc 16). Que a explosão do sepulcro, na noite da ressurreição, quebre em nós todas as pedras que impedem que a vida brote em plenitude e abundância.
A páscoa é a vitória do Ressuscitado sobre o antigo inimigo ( a serpente), sobre o pecado e a morte, é a antecipação daquilo que irá se manifestar na consumação dos tempos, conforme canta o livro do Apocalipse: “O império de nosso Senhor e de seu Cristo estabeleceu-se sobre o mundo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos. Graças te damos, Senhor, Deus Dominador, que és e que eras, porque assumiste a plenitude do teu poder real” (Ap 11,15.17). Portanto, louvemos ao Senhor, alegremo-nos e exultemos Nele, aleluia! Aleluia! Aleluia!
Feliz Páscoa.


É pelo Mistério Pascal que todos os homens e as mulheres são salvos e participam da vida divina. Logo, pode-se entender o Mistério Pascal o supremo sacrifí¬cio, de valor infinito, que Jesus ofereceu a Deus Pai a favor da salvação da humanidade.
Assim como a Páscoa, para os judeus, está ligada à passagem do Mar Vermelho, para os cristãos liga-se à passagem da Morte para a Vida, sentido último do Mistério Pasca.
É não mais ficar chorando pelo túmulo vazio, mas doar o tempo em testemunhar que Ele está vivo e caminha conosco.
Celebremos com alegria a verdadeira Vitória de Jesus Cristo que é a sentido último da nossa vida.
Uma FELIZ E ABENÇOADA PASCOA.
Pe. Jeová de Jesus Morais

sexta-feira, 2 de abril de 2010


PAIXÃO DE JESUS
Ao entrarmos com o cuidado devido no relato da Paixão, isto é, quando experimentamos e vivenciamos o relato da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo nos encontramos com sua força e com sua fraqueza.
Da sua força, porque não nos será possível vê o relato do sofrimento, paixão e morte de Jesus apenas de fora, na platéia como espectador. Não tem como fazer uma experiência profunda do relato da paixão e morte de Jesus Cristo sem estarmos acusados e atravessados por ele: Porque está diante de nossos olhos desvendado a profundidade da nossa cólera e do nosso ódio, da nossa astúcia, da nossa brutalidade, da nossa calúnia e do fascínio pelo sangue inocente. Quem diria que sobre nós paira o deseja da morte? (Pasta presenciarmos um acidente e todos e logo nos juntamos em multidão para nos deliciarmos do sangue derramado e do corpo caído sem vida). Em contraponto, está ai diante dos nossos olhos atônitos, revelado o semblante da verdade, do amor gratuito e do Perdão setenta vezes sete, isto é, do perdão sem limite que acolhe a nossa violência e o nosso pecado levando-os até fim do círculo vicioso e ferrenho da retaliação e vence a vitória sobre a penúria que germina da natureza do pecado, cujo efeito é sempre acorrentar, encadear, entrelaçar.
É no ambiente do Antigo Testamento que o relato da Paixão busca seus elementos; apresentam às súplicas dos Salmos, como o silêncio do Servo de YHWH, (Sl 21), e outras narrativas da toráh, Sabedoria, Cântico dos Cânticos, dos Profetas e tantas outras citações nascidas das Sagradas Escrituras.
É verdadeiramente um relato. Porque põe em analogia, une e entrelaça duplamente: primeiro, porque faz uma analogia dos acontecimentos; segundo, porque põe em afinidade o narrador e a narração do sofrimento paixão e morte de Jesus.

Onde começa o relato da Paixão e onde termina?
Então vamos começar o relato da Paixão no mistério pascal com a Ceia Primeira, que nos envolve e nos implica no corpo e na memória. Porém Evangelho de São João, no capítulo 13, que meditamos ontem, narra em vez da Ceia o lava-pés. Repito: como vimos ontem no IV evangelho. O narrador abre a cena, referindo que Jesus depõe o manto (v. 4), e fecha a cena, dizendo que Jesus recebe o manto (v. 12). São os mesmos verbos com que, no Capítulo 10.º, o Bom Pastor depõe a vida e recebe a vida (v. 17). Entre uma e outra ação, entre depor o manto e receber o manto, depor a vida a vida e receber a vida, no centro (v. 8), está o discurso solene de Jesus: «Se não te lavo, Pedro, não tens parte comigo!» (Jo 13,8). Ter parte com Cristo é participar no seu supremo serviço de amor até dar a vida como Ele faz.
Vinculados no corpo e na memória, na vida e no serviço do amor, atravessamos o caminho do sofrimento e entramos no jardim das oliveiras. É de noite, mas abrasa a luz. É verdade que já não estão todos. Judas, filho de Simão Escariotes afastou-se da luz e perdeu-se na nas trevas da noite, (Jo 13,30). Virá depois com tochas e lanternas, e com soldados e armas (Jo 18,3). Vem prender a luz, mas cai encandeado por ela (Jo 18,6). Tem de ser a luz a deslumbrar-se por amor e a entregar-se a ele por amor.
Aqui é preciso, lembrar o relato de São Marcos que diz: todos fugiram, abandonando-o (Mc 14,50). E fugidos andaremos, e perdidos, na noite e no frio, até sermos outra vez por Ele encontrados e recolhidos. Mas, Pedro ainda perdido, se abriga a outra luz e nela se aquece (Jo 18,18). Negando ter andado com Jesus, ter alguma coisa a ver com Jesus, ter parte com Jesus. Nega mesmo conhecer Jesus (Mc 14,67-71). Até que o galo canta, e começa a nascer o dia para Pedro, (Mc 14,72). Mas Jesus prossegue o seu caminho de amor até ao fim. Até à Cruz. É lá que se desvenda o rosto abatido pelo sofrimento e o gosto pela morte que nos cerca. Salva-te a ti mesmo! Gritava os soldados (Lc 23,35. 37.39). E gritamos, ainda hoje, repetidas vezes, mas zombando, porque, na verdade o que queriam eles e o que queremos nós, não é que Ele se salve; o que queremos mesmo é assistir ao doentio espetáculo do sangue gotejando junto com água do lado aberto do Inocente, queremos assistir o espetáculo sombrio da morte! A tanto chegou a nossa maldade! Um ódio sem motivo, sem fundamento, jaz-nos (Sl 35,19; 69,5; Jo 15,25). Ele é o Justo. Ele é a Bondade e o amor absolutamente gratuito, sempre Primeira e radical, igualmente sem motivo e sem fundamento Ele nos ama e ama Primeiro (1 Jo 4,19), quando ainda estávamos no pecado e éramos pecadores (Rm 5,8). Ali, naquele Corpo Crucificado, morto por amor, e por amor exposto diante dos nossos olhos atônitos (Gl 3,1), morre o nosso desejo de morte, o nosso pecado, apagado pelo fogo do amor gratuito, que declara os nossos pecados completamente apagados, perdoados, anulados e ultrapassados (cf. Cl 2,14). Podemos agora olhar a Cruz de outra maneira. Afinal, ninguém nos fez frente. E encetando o caminho retrospectivo do olhar e da memória, podemos começar agora a entender que aquelas chagas são o espelho em que podemos ver a nossa violência, a nossa malvadez, o nosso pecado. Como toda a «paixão», a «Paixão» de Cristo expressa passividade provocada por numerosas vontades humanas. A «Paixão» de Cristo revela a «ação» de outros, a nossa «ação». E podemos ir mais longe e confessar a única verdade disponível: «Nós somos culpados!» Ou não veio Ele para que se manifestem os pensamentos escondidos de muitos corações? (Lc 2,35). Mas confessar sem medos, sem receios, porque nenhum tribunal nos julgará, nenhuma retaliação se adotará, nenhuma ameaça nos persegue. Esta é a descoberta esplêndida! Ninguém nos acusou. Nem Deus nem o Servo Justo, Cristo. Nenhuma acusação impende sobre nós. Nesse sentido, aquele Corpo aos nossos olhos exposto e relatado, aquelas chagas abertas, podem ser verdadeiramente a nossa cura (1 Pe 2,24; cf. Is 53,5). Está ali tudo exposto. Tudo às claras. Como a venenosa cobra em nós escondida e acobertada, mas agora levantada diante dos nossos olhos. Fica ali bem à vista a imagem do mal de que padecemos. Podemos, portanto, agora que sabemos qual é o mal em nós e que conhecemos o remédio, aceitar o processo da cura. «Assim como Moisés levantou a cobra no deserto (Nm 21,8-9), assim «é necessário» que seja levantado o Filho do Homem» (Jo 3,14). O relato da Paixão põe em cena o «corpo a corpo». «É necessário» que seja o Bem a vencer sem combater este combate. Só o Bem é livre. O Bem não começou. O Bem é Primeiro e é para sempre. O mal é que começou e se multiplica, até ser completamente anulado pelo Bem. Perdão infinito. A mais abatida amostra de Bondade e Gratuidade manifesta-se no dom feito aos mortos. A Escritura de teor apocalíptico, faz-nos ouvir a oração dos mortos (Dn 9,4-19), ensina-nos a rezar pelos mortos (2 Mac 12,42-45), e concede o Perdão aos mortos (Dn 9,24), sem que os mortos tenham de voltar à vida para serem perdoados. Antes, são trazidos à vida no próprio ato com que são perdoados. A verdadeira morte não é o termo da vida, mas aquilo que, desde o princípio, impede de nascer. E aquilo que impede de nascer para a Liberdade são as raivas e os ódios, a violência, a agressão e a opressão são pecados que escravizam o coração do homem e da mulher.
O ato que muda o coração e que retira o corpo da morte é um só e mesmo ato, o ato de amor gratuito. O percurso verdadeiro não é o que fazemos da vida para a morte, mas o que fazemos da morte para a vida. Não vivemos para morrer, mas morremos para viver. E é o amor que faz passar da morte para a vida (1 Jo 3,14; cf Jo 5,24). É neste cone de luz que se situa o relato de Mateus quando refere que, com a morte de Jesus, «muitos túmulos se abriram e muitos corpos dos mortos santos ressuscitaram» (Mt 27,52). E é ainda a esta luz que o Símbolo dos Apóstolos proclama a descida de Jesus à mansão dos mortos. Perdão infinito. Vida verdadeira. Nascimento do alto (Jo 3,3.7). Luz fulgurante sobre as trevas. Caminho novo da nova humanidade.
Vida nova, vida eterna.

Texto usado pelo Pe. Jeová de Jesus Morais na homilia da sexta feira Santa.

Pe. Jeová Jesus Morais.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Modelo de Libelo

COMO FAZER O PEDIDO DO LIBELO:

Para dar início ao Processo de Declaração de Nulidade, pé preciso que um dos cônjuges já separado faça o pedido (= libelo) e o entregue pessoalmente ao Presidente do Tribunal Eclesiástico.

O Autor (demandante) narra brevemente a história, dizendo a verdade. Não deve engrossar os fatos, nem diminuí-los e nem ofender a outra parte. Basta narra os principais fatos sem muitos pormenores.

A verdade, embora dolorosa, deve ser dita. O Juiz precisa sabê-la para aceitar ou rejeitar a causa.

O Libero deve ser escrito a máquina ou no computador, com simplicidade, como uma carta.

O Libelo não pode ser muito longo. Uma ou duas páginas são suficientes.

É preciso deixar uma margem de 2 ou 3 centímetros à esquerda para grampear o processo.

Não omitir nenhum dado essencial. Se faltar algum dado necessário o Juiz devolverá o pedido para ser completado.




D. D. Sr. Presidente do Tribunal Eclesiástico

Eu Maria do Carmo Lopes, filha de Joaquim Antonio Lopes e Ana do Carmo Lopes, nascida no dia 20/10/70, na cidade de Altamira-Pa. Com o segundo grau completo, dona de casa, residente em Altamira-Pa, na Rua 15 de setembro nº 122, Bairro Centro, CEP 68.370-190. Fone 93 xx 3515 0077. Sou católica, casada no religioso com José Arruda de Souza, no dia 15/04/1990, na igreja Nossa Senhora de Fátima de Altamira. Venho respeitosamente através deste, pedir a nulidade do meu casamento com José Arruda de Souza. O José mora na trav. Dr. Assis 515, Bairro Laranjal, Altamira- Pa. CEP 68.370-192. Fone 93 xx 3515 9779.
Eu conheci o Sr. José Arruda de Souza no colégio quando cursava o 2º ano do 2º grau.
Namoramos durante 02 anos, nosso namora foi muito tumultuoso por brigas geradas pelos meus pais, pois eles não aprovavam o nosso namoro. Porque não gostavam dele.
Ele exercia muita pressão sobre mim e após uns 06 meses de namoro começamos a manter relações íntimas e eu engravidei.
Quando meu pai soube da gravidez me humilhou e disse que eu teria que casar. Eu não queria casar com ele , pois não o amava para tê-lo como meu marido e além disso ele era uma pessoa muito ignorante e um pouco violento quando estava embriagado e isso acontecia com muita freqüência, mas eu não tinha escolha. O que eu iria fazer? Se meu pai não me queria, eu estava grávida e sem trabalho, não poderia fazer nada a não ser o que meu pai me obrigava.
Minha mãe fez de tudo, para nos casar no religioso com rapidez, mas não conseguiu, por isso no início casamos apenas no civil. Fomos morar nos fundo da casa da avó dele, nosso relacionamento era marcado por muitas brigas gerada pela bebida dele. Até que minha filha nasceu.
Meus pais são muito religiosos e não me aceitava a não ser que eu casasse no religioso. Foi ai que meu pai me chamou e advertiu para que eu procurasse casar, eu respondi que não queria casar com ele, pois não o amava, e ele me disse que era tarde demais, pois nós vivíamos juntos e tínhamos uma filha e que eu tivesse pensado antes e se um dia quisesse deixar dele que ficasse sozinha.
Foi minha mãe que providenciou tudo, deu entrada em todos os papeis, pois nesta época estava tendo casamentos comunitários. Eu achei melhor obedecer, pois meu pai, principalmente, era muito rigoroso e eu já havia sofrido pela rejeição deles.
Depois do casamento nosso relacionamento piorou muito, as brigas foram aumentando e se tornando cada vez pior e ele ficava cada vez mais revoltado e violento.
Após o casamento vivemos um ano e resolvemos separar. Essa época foi realmente a pior da minha vida.
Vivo muito feliz há três anos com outro homem, com quem tenho um bebê, ele vive com os pais.
Hoje, venho pedi a Igreja que declare invalido o meu casamento. Porque casei por pressão dos meus pais e contra a minha vontade.


Altamira – Pa 12 de novembro de 2006.

________________________________
Assinatura do demandante.

Pe. Jeová de Jesus Morais, Pároco de Uruará-pa